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Joaninhas

As caçadoras de pulgões nas árvores: biologia, espécies e uma invasão do Japão
Joaninhas
Animais das Árvores Insetos e Artrópodes das Árvores 27/07/2027

Poucos animais desfrutam da afeição universal que as joaninhas têm. Vermelhas com pintas pretas, perfeitamente geométricas, pequenas o suficiente para caber numa unha — é um dos animais mais queridos da floresta e do jardim, em todas as culturas e em todas as línguas. Mas por trás da fachada colorida e inofensiva esconde-se um dos predadores mais eficientes que a natureza deu às nossas árvores.

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Biologia da joaninha: uma vida como predadora

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As joaninhas (Coccinellidae) são coleópteros — a mesma família dos escaravelhos-de-chifres, dos gafanhotos-das-folhas e dos escaravelhos-soldado. Cerca de 80 espécies diferentes vivem em Itália, desde a clássica joaninha-de-sete-pintas (Coccinella septempunctata) até à minúscula joaninha-de-duas-pintas (Adalia bipunctata), passando por espécies amarelas e pretas que muitas pessoas não reconhecem como joaninhas. A grande maioria são predadores de pulgões, cochonilhas e ácaros — parasitas que sugam as plantas. Uma única joaninha-de-sete-pintas consome entre 3.000 e 5.000 pulgões ao longo da sua vida (1-3 anos). Num único dia de boa caça, pode consumir 200-300 pulgões nas folhas de arbustos. A larva — castanha e espinhuda, muito diferente do adulto — é igualmente voraz e consome centenas de pulgões antes de se transformar em crisálida. Uma invasão de pulgões numa tília, cerejeira ou freixo urbano pode ser controlada em apenas alguns dias por uma colónia de joaninhas — sem necessidade de qualquer inseticida.

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Cor vermelha como sinal: aposematismo

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A cor vermelha brilhante com pintas pretas da joaninha não é decorativa — é um sinal de aviso para os predadores chamado aposematismo. Quando ameaçada, a joaninha segrega nas articulações das suas patas (hemorragia autógena reflexa) um líquido amargo e tóxico amarelo (hemolinfa). Os pássaros e outros predadores que já provaram uma joaninha aprendem a associar a cor vermelho-preta com o sabor desagradável e evitam-na. Este sinal é tão eficaz que numerosas espécies não-tóxicas (algumas traças, algumas aranhas) evoluíram para uma coloração semelhante para aproveitar a proteção aposemática da joaninha — um fenómeno chamado mimetismo de Batesian. As pintas pretas são bastante variáveis mesmo dentro da mesma espécie: nem sempre contam exatamente 7 — podem ser 5, 7, 9, com variações individuais. O número de pintas não é necessariamente um indicador fiável da espécie.

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Hibernação da joaninha: aglomerados de inverno

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No outono, as joaninhas adultas procuram lugares abrigados para passar o inverno num estado de torpor — sob a casca das árvores, em fendas de paredes, sob folhas acumuladas, em caules de cana. A característica mais marcante é que tendem a formar aglomerados de inverno: dezenas, centenas ou até milhares de indivíduos que se reúnem no mesmo local. Ainda não é totalmente claro como se coordenam — hipotetiza-se que usam feromónios de agregação deixados por aglomerados de anos anteriores, ou que respondem a sinais visuais comuns (cor da casca, estrutura da cavidade). Na Califórnia e em algumas zonas alpinas, os aglomerados de inverno de joaninhas podem conter milhões de indivíduos.

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Harmonia axyridis: a grande substituição

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Desde 2001, Itália (e toda a Europa) tem enfrentado a expansão de uma joaninha nativa do Leste Asiático introduzida como agente de controlo biológico nos EUA e depois chegada à Europa acidentalmente: a joaninha-arlequim (Harmonia axyridis). É maior, mais voraz, mais tolerante ao frio e às variações ambientais do que as espécies europeias, e reproduz-se mais rapidamente. Alimenta-se de pulgões mas também de larvas de joaninhas europeias, ovos de borboletas e outros insetos benéficos. Onde quer que se espalhe, as populações de joaninhas-de-sete-pintas e joaninhas-de-duas-pintas diminuem dramaticamente. Na Bélgica, Grã-Bretanha e algumas partes da Alemanha, a joaninha-de-duas-pintas (A. bipunctata) diminuiu 80-90% em 15 anos devido a H. axyridis. Em Itália a expansão está em curso: Harmonia já é comum no Piemonte, Lombardia, Véneto e Toscana. É reconhecível pelas suas muitas variações de cor (vermelha com muitas pintas pretas, preta com pintas vermelhas, laranja com pintas...) e pelo seu cheiro característico quando esmagada — desagradável e pungente.

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A joaninha passou milénios a comer pulgões nas árvores dos nossos jardins sem nunca nos pedir nada. Depois importámos a sua substituta do Japão e agora estamos a substituí-la sem sequer darmos conta. Não é uma história de bem e mal: é a história de como as consequências imprevistas sempre nos alcançam.

Como ajudar as joaninhas nativas no seu jardim e floresta

  • Não use inseticidas durante invasões de afídios: resista à tentação de pulverizar quando vir afídios nas suas rosas ou cerejeira. Aguarde 7-10 dias: na maioria dos casos, joaninhas, sirfídeos e crisopídeos chegam naturalmente e resolvem o problema. Se o número de afídios for realmente insuportável, use apenas água com spray de sabão de Marselha (inseticida físico, não sistémico, inofensivo para os predadores naturais).
  • Plante espécies com flores abertas para sirfídeos: as larvas de sirfídeos são predadores de afídios tão eficazes quanto as joaninhas. Os adultos precisam de néctar e pólen de flores abertas e simples (não dobradas) para se alimentar: cenoura selvagem, endro, funcho, calêndula, facélia. Um canto do seu jardim com estas plantas atrai sirfídeos que depois põem ovos perto de colónias de afídios.
  • Instale abrigos de inverno para joaninhas: faça um feixe de canas (10-15 cm de comprimento, 5-8 mm de diâmetro) amarrado com corda e pendurado num local protegido (sob uma caleira, num armazém) com a abertura virada para este-sul. As joaninhas usam-no como local de hibernação. Deve permanecer no lugar de outubro a março sem perturbação.
  • Reconheça a joaninha-asiática: aprenda a distinguir Harmonia axyridis das espécies nativas. É maior (6-8 mm contra 5-7 mm da de sete pintas), tem a forma característica de M ou W das "manchas" no pronoto (o segmento entre a cabeça e os élitros), e o seu cheiro é desagradável se esmagada. Comunique observações no iNaturalist com localização precisa: contribua para o monitoramento da espécie invasora.
  • Com crianças — conte as pintas: procure joaninhas no seu jardim ou floresta na primavera-verão. Para cada joaninha encontrada, conte as pintas e tente identificar a espécie com um guia de fotos. Explique que o número de pintas varia: nem todas as joaninhas com 7 pintas são da mesma espécie, e nem todas as joaninhas têm 7 pintas. A variedade sempre surpreende as crianças que pensam que já sabem tudo sobre joaninhas.
  • Fotografe as larvas: as larvas de joaninha — espinhudas, escuras com manchas laranja, vagamente parecidas com pequenos dragões — são quase irreconhecíveis como ancestrais dos adultos. Fotografá-las em afídios durante a predação e depois mostrar o adulto em que se transformarão é uma das sequências biológicas mais fascinantes para crianças, comparável à metamorfose da borboleta.

A joaninha está lá, na sua cerejeira, na sua rosa, na tília da avenida. Está a fazer o seu trabalho silenciosamente todos os dias, como faz há milhões de anos. O mínimo que pode fazer é não envenenar a sua presa e deixá-la fazer o seu trabalho. É um acordo muito simples, e funciona lindamente.

Perguntas Frequentes

Como reconhecer a joaninha-asiática em comparação com as espécies nativas?

A joaninha-asiática é maior (6-8 mm), tem uma forma de M ou W no pronoto, e tem um cheiro desagradável se esmagada. A sua cor varia muito, desde vermelha com muitas pintas pretas até preta com pintas vermelhas, tornando-a distinguível das espécies nativas.

Qual é o papel das joaninhas no controlo biológico de pragas contra afídios?

As joaninhas são predadores naturais de afídios, consumindo milhares destas pragas durante a sua vida. Uma colónia pode controlar rapidamente uma invasão de afídios em árvores e plantas, reduzindo a necessidade de inseticidas químicos no jardim ou floresta.

Como pode ajudar as joaninhas nativas a sobreviver no seu jardim?

Para proteger as joaninhas nativas, evite usar inseticidas químicos durante invasões de afídios, plante flores abertas para atrair sirfídeos predadores, instale abrigos de inverno como feixes de canas, e monitore a presença de joaninhas-asiáticas para limitar a sua propagação.

O que acontece se usar inseticidas durante uma invasão de afídios?

O uso de inseticidas pode matar não apenas afídios, mas também joaninhas e outros predadores naturais, comprometendo o controlo biológico. É melhor aguardar 7-10 dias para permitir que os predadores naturais intervenham ou usar apenas inseticidas físicos inofensivos como água e sabão de Marselha.

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